

Japão 2026 - O retorno
38 dias - Japão com Stop em Dubai
A viagem começa agora. Depois de meses de planejamento, pesquisas, sonhos, roteiros, reservas e expectativas, finalmente chegou o momento de embarcar rumo ao Japão. Mais do que uma viagem, esta será uma travessia: geográfica, cultural e, certamente, pessoal. Mas esta aventura tem um ingrediente extra. Ela será também o primeiro grande teste em tempo real do Viagens da Ju, uma plataforma criada para transformar a forma como planejamos e registramos nossas experiências pelo mundo. O projeto nasceu da paixão por viajar e da vontade de reunir, em um único lugar, tudo o que faz parte de uma jornada: pesquisa de voos e hotéis, criação de roteiros, reservas, organização de passeios, planejamento diário e, principalmente, o registro das memórias vividas. A cada dia da viagem, fotos, descobertas, emoções e histórias serão registradas no sistema, que ao final transformará toda essa experiência em um verdadeiro livro de memórias da aventura. Mais do que uma ferramenta de organização, o Viagens da Ju utiliza inteligência artificial para ajudar o viajante a otimizar seu tempo, planejar melhor cada etapa e aproveitar ao máximo aquilo que realmente importa: viver intensamente cada experiência e compartilhá-la com quem se ama. Esta viagem ao Japão será, portanto, duas jornadas em uma só: a redescoberta de um país fascinante que visitei em 2012 e a validação de uma ideia que nasceu de muitos sonhos, quilômetros percorridos e da certeza de que viajar é uma das formas mais bonitas de colecionar histórias. A partir de hoje, cada dia vivido se transformará em um novo capítulo. As paisagens, os sabores, os encontros inesperados, os encantos, os desafios, inclusive a trilha sonora, e até os inevitáveis perrengues serão registrados aqui, compondo esta memória viva de uma jornada pelo outro lado do mundo. Mas esta história ainda está apenas começando. As próximas páginas serão escritas passo a passo, estação por estação, trem por trem, descoberta por descoberta. Volte sempre. Afinal, a melhor parte de uma grande aventura é acompanhá-la enquanto ela acontece.
Há dias que parecem só uma passagem. E, ainda assim, carregam um peso especial. Este foi um deles.
Dia de fazer a mala correndo — como sempre — e encarar a estrada cedinho rumo a São Paulo, para pegar o voo da madrugada.
O Benedito e a Joana não facilitaram. Protestaram do jeitinho que só eles sabem, enquanto eu tentava fechar a mala de última hora.
Saí de casa já com aquela saudade que aperta antes mesmo de a viagem começar: dos gatinhos, da família, do cheiro de lar. Mas, junto com ela, veio uma felicidade que não cabia no peito. O Japão me esperava de novo — e, do outro lado do mundo, pessoas queridas também.
O voo de Navegantes a São Paulo é curto, quase um aquecimento. Mas, quando se sabe o que vem depois, até esse pequeno trecho ganha outro significado. Eu sabia.
Era véspera do meu aniversário — e não era um aniversário qualquer, nem uma viagem qualquer. Eu voltava como quem cumpre uma promessa antiga à terra do sol nascente.
Recentemente assisti ao filme Perfect Days. A simplicidade com que ele retrata a vida cotidiana em Tóquio me tocou fundo. O protagonista encontra beleza nos pequenos gestos, nas rotinas, nos detalhes que costumam passar despercebidos. E talvez seja por isso que a trilha sonora do filme me marcou tanto: ela não apenas acompanha a história — ela a transforma. Não por acaso, Feeling Good, da Nina Simone — a música que abre este capítulo —, é a mesma que encerra o longa. Na cena final, enquanto o sol nasce e se reflete nos prédios, Hirayama dirige sua van pelas ruas e transita por diversas expressões — chorando e sorrindo ao mesmo tempo, numa mistura profunda de emoção, paz e gratidão —, embalado por aquela voz marcante até a tela escurecer.
Foi assistindo a esse filme que surgiu a ideia de dar uma trilha sonora a cada capítulo deste livro. Afinal, viagens também têm sons. Algumas músicas nos acompanham na estrada, outras ficam para sempre ligadas a um lugar, a um momento, a uma emoção. Espero que, ao longo destas páginas, cada canção ajude a contar esta aventura tanto quanto as palavras e as fotografias.
Guarulhos seria o palco da virada. A madrugada, a partida, os 46 anos chegando em algum ponto entre um continente e outro. Um aniversário celebrado entre fusos horários, aeroportos e expectativas.
Mas, antes de tudo isso, existia este dia: o dia de chegar até lá. Porque toda grande aventura começa muito antes do embarque internacional — ela começa quando decidimos ir.
Meia-noite em Guarulhos. Oficialmente 46 anos!
Não tem muito o que planejar pra um aniversário que começa assim: sozinha num aeroporto, fone no ouvido, o mundo inteiro pela frente. Meu presente é atravessar o atlântico ao longo do próprio dia em que nasci — e eu não trocaria isso por nenhum bolo.
O Queen tocou, e a frase entrou pela cabeça como se fosse endereçada: "Don't stop me now, I'm having such a good time." Deu vontade de rir. Bateu uma curiosidade sobre a música e perguntei pro meu amigo ChatGPT, aquele parceiro de longas noites de pesquisa. A resposta chegou em segundos.
Esse clássico é do álbum Live Killers, lançado em 22 de junho de 1979. Eu nasci em 22 de junho de 1980 e meu voo internacional para a viagem dos sonhos acontece em 22 de junho de 2026.
Que coincidência legal.
Fiquei um tempo parada com isso, sorrindo pra tela do celular como quem recebe um sinal que não pediu mas precisava. Quarenta e seis anos, um disco ao vivo do Queen e uma viagem rumo ao Japão — tudo amarrado numa mesma data, como se o universo tivesse um senso de humor muito bem calibrado.
No fone, Freddie Mercury continuava gritando que estava pegando fogo como um raio. Eu, na sala de embarque, fiz uma retrospectiva silenciosa de quem sou hoje — não com nostalgia, mas com a sensação de quem olha pra trás e reconhece cada escolha que me trouxe até aqui. Até esse aeroporto, essa meia-noite, esse destino. Não me parem agora.
O avião subiu ainda na madrugada do dia 22 e levou o meu aniversário junto. Foram mais de catorze horas no ar, e eu, que sempre durmo bem no avião, apaguei fácil: umas dez horas boas de sono, acordando só na hora de comer. A Emirates cuidou bem da travessia — daquele jeito que faz as horas passarem sem peso —, e entre uma refeição e outra meio mundo ficou para trás enquanto eu dormia.
Quando pousei, já era madrugada, início do dia 23: o fuso de Dubai tinha levado um dia inteiro pelo caminho, e desembarquei num lugar onde já era amanhã. Cheguei na calada e com as malas a reboque, então deixei o metrô para outra hora e peguei um táxi — mesmo reparando que o trem sai de dentro do próprio aeroporto, prontinho para quem viaja leve. Eu não estava leve. Mas estava chegando.
Fui parar no Courtyard by Marriott, plantado bem em frente ao Dubai World Trade Centre, na beira da Sheikh Zayed Road. A localização foi um acerto: a estação de metrô do World Trade Centre a poucos minutos a pé — a mesma linha que vem direto do aeroporto — e o próprio aeroporto a uns dez minutos de carro, perto o suficiente para a chegada de madrugada não virar perrengue. Larguei as malas e, pela primeira vez no dia, parei de verdade. O deserto podia esperar até de manhã.
Eu já tinha pisado em Dubai uma vez, em 2012 — uma escala rápida, daquelas que mais abrem o apetite do que matam a fome. Fiquei com vontade de voltar e conhecer de verdade, e catorze anos depois a cidade finalmente esperava por mim. O combinado comigo mesma para o primeiro dia inteiro era simples: descansar de manhã e deixar a cidade para a tarde. Cumpri à risca. Levantei às nove, desci para o café às nove e meia e encontrei uma refeição completa disfarçada de café da manhã — muita comida típica, dessas que enchem a mesa e a curiosidade ao mesmo tempo. Saí praticamente almoçada — e bem tratada: no hotel, como em toda parte por onde andei depois, fui recebida com uma solicitude que parece ser a regra da casa em Dubai. Reparei cedo que boa parte de quem faz a cidade girar vem de fora: paquistaneses, filipinos, indianos, gente do mundo inteiro trabalhando ali, cada um carregando seu sotaque e seu país nas costas.
À uma da tarde, deixei o hotel disposta a explorar. Dez minutos a pé até a estação World Trade Centre — fácil de dizer, desafiador de viver com quarenta e dois graus na pele. Mas Dubai não deixa o visitante sem saída: há passarelas com ar-condicionado ligando as ruas às estações, um detalhe que diz muito sobre como essa cidade resolve os problemas que ela mesma cria. Comprei um passe para o dia inteiro e fui direto ao Dubai Mall.
Da estação até o shopping, passarela coberta o caminho inteiro, sem precisar pisar na rua. Algumas interseções davam em outros prédios e, quase sem perceber, eu me via olhando para o Burj Khalifa de um ângulo diferente a cada virada. Surreal é a palavra certa. O shopping é gigante de um jeito que desarma qualquer planejamento — fiquei a tarde quase inteira por ali, de olho aberto para tudo.
E havia o contraste que eu sentia na pele a cada porta: lá fora, o calor de forno; do lado de dentro, um frio de geladeira que fazia esquecer o deserto a poucos metros. Atravessar uma passarela ou entrar num shopping era mudar de clima como quem muda de estação — Dubai vive essa dobra o dia inteiro, um pé no sol impossível e outro no ar gelado que ela fabrica para si mesma.
No fim da tarde, voltei à estação e peguei o metrô até a Marina, para ver o pôr do sol da praia. Entrei no complexo onde fica a roda-gigante, mas ela não estava funcionando. Uma pena — lá de cima, com o sol descendo sobre a cidade, deve ser um espetáculo e tanto.
Mesmo perto do fim do dia, a sensação era de estar dentro de uma airfryer. Comprei um sorvete para tentar negociar com o calor e fui caminhando por ali um tempão. O pôr do sol compensou cada gota de suor: lindo, sem exagero. Depois andei um pouco pela orla e, por volta das oito e meia, voltei à estação rumo ao hotel.
Cheguei e o termômetro ainda marcava trinta e sete graus — de noite, depois do sol já posto. Dubai me surpreendeu: uma cidade linda e moderníssima, segura, com um metrô simples de usar, tudo calculado para funcionar, mesmo quando a temperatura conspira contra qualquer lógica de andar a pé. Encerrei o dia por ali, sem esticar a noite: no dia seguinte me esperava o passeio que eu mais queria dessa parada — o safári no deserto.
O pacote comprei pela Civitatis um dia antes — nada de planejamento longo, só aquela decisão rápida de quem decide confiar no impulso. No horário combinado, o Rachid passou no hotel e partimos rumo ao deserto nos arredores da cidade, uns 65 km do centro de Dubai.
A primeira parada foi num lounge onde dava pra comprar souvenirs e lenços para se proteger da areia e do sol. O passeio de quadriciclo não estava incluído no pacote — mas acabei ganhando da agência, pelo próprio Rachid, que logo percebi ser daqueles guias que fazem a diferença: atencioso, divertido e, de quebra, um fotógrafo excelente. Pilotar nas areias do deserto a 50 graus é uma experiência que não tem comparação. A sensação era de airfryer por todos os lados, e eu adorei cada segundo.
Depois disso vieram as dunas vermelhas. Com a pressão dos pneus calibrada para o terreno, os motoristas dos 4x4 mostraram do quê eram capazes — 45 minutos de adrenalina pura, subindo e descendo as dunas como se a areia fosse uma pista particular deles. E ainda teve sandboard: pranchei no deserto de Dubai. Tem frase que escrevo e ainda acho que estou inventando.
Já no final da tarde, chegamos ao acampamento Al Khayma para o café árabe com tâmaras. Existe uma calma naquele ritual — o cheiro do café, o sabor das tâmaras, o ritmo diferente do tempo ali dentro — que contrasta com tudo o que veio antes.
Ainda tivemos a opção de montar num camelo, fazer henna e tirar fotos. Depois, jantar de churrasco sob as estrelas: carnes, aperitivos, saladas e doces típicos da região. O encerramento ficou por conta dos espetáculos — dança tradicional, show de cavalos árabes, camelos, falcoaria e fogo.
Na volta ao hotel, a vista noturna de Dubai se abriu pela janela. Depois de um dia assim, olhar para aquelas luzes tinha um peso diferente — o tipo de cansaço bom que só vem quando você viveu o dia inteiro de verdade.
Último dia de passeio, e confesso: não vi metade do que gostaria em Dubai. Mas essa é a natureza das cidades grandes demais — elas nunca se entregam de uma vez. Resolvi então me inclinar para o lado de Abu Dhabi e embarcar numa excursão de dia inteiro saindo de Dubai. Decisão certa.
A companhia do dia já era um capítulo à parte antes mesmo de a gente chegar a qualquer lugar: o guia Khalil, dois irmãos chilenos e três irmãos marroquinos. Esse grupo improvisado de desconhecidos virou cúmplice do dia inteiro — e rendeu boas risadas do começo ao fim.
A primeira parada foi a Grande Mesquita Sheikh Zayed. Antes de entrar, roupas cobrindo o corpo todo e lenço sobre a cabeça — regra da casa, sem exceção. E aí você para na entrada, olha para a frente, e entende por que a exigência parece pequena diante do que está ali: a arquitetura é majestosa, e os cristais Swarovski transformam cada superfície numa coisa que os olhos custam a acreditar. O ingresso estava incluso no pacote, uma alegria a mais.
Depois seguimos num passeio pela cidade, admirando os edifícios suntuosos um atrás do outro, até chegar ao Abu Dhabi Date Market — o comércio local transbordando de especiarias, ervas e chocolate. Dali fomos a um shopping para o almoço.
A parada seguinte foi o Emirates Palace Mandarin Oriental, e "hotel" é uma palavra pequena demais para ele. Custou cerca de três bilhões de dólares para ser construído: são 114 cúpulas, a principal com uns 73 metros de altura, e o interior é revestido de ouro 22 quilates, mármore e cristais Swarovski espalhados por toda parte. O famoso Palace Cappuccino vem decorado com flocos de ouro 23 quilates comestíveis — não cheguei a tomar. Ouro comestível, três bilhões de dólares em volta, e mesmo assim não seria o café mais valioso que eu teria tomado na vida. Esse nunca teve preço. No último andar ficam as Rulers' Suites, reservadas a chefes de Estado e à realeza; o complexo inteiro foi pensado para receber líderes mundiais, e a sensação de estar dentro de um palácio de verdade não tem como disfarçar. Tem praia privativa de uns 1,3 km, marina própria, heliporto — e ainda serviu de cenário para o Velozes e Furiosos 7.
No fim do dia, passeio panorâmico pela Yas Island, com parada para foto no Ferrari World, e depois as linhas surpreendentes do Louvre Abu Dhabi, na Ilha de Saadiyat. O caminho de volta a Dubai veio carregado de cansaço bom — aquele que só um dia repleto de lugares grandiosos e gente divertida consegue deixar.
Antes de contar sobre o voo, preciso voltar um pouquinho ao final do dia anterior — porque omiti uma parte boa demais para deixar passar.
Ao chegar do passeio em Abu Dhabi, me vi diante de uma escolha clássica de viajante cansada: dormir cedo, já que o despertador marcava quatro da manhã, ou aproveitar mais uma fatia de Dubai. O desejo falou mais alto. Deixei as malas prontas, por volta das vinte horas peguei o metrô rumo ao Burj e fui ver o gigante de noite — ele e seu show de luzes, os prédios ao redor todos iluminados. Sensacional. O cansaço, dessa vez, não venceu a curiosidade. Às vinte e três horas estava de volta ao hotel, com um Uber já agendado para as quatro da manhã e a consciência levíssima de quem não deixa uma experiência passar.
Despertei às três, sem alarme. Quando botei o pé no aeroporto eram quatro e vinte — e que aeroporto. Moderno a ponto de eu praticamente não ter contato humano durante todo o processo: despacho de mala, acesso à área de embarque, tudo automatizado. A única interação humana foi rápida: passaram um lenço sobre minhas roupas, checaram o passaporte e me liberaram. Com o cartão LoungeKey, consegui um café sem gastar nada e saí para explorar o terminal — um dos mais bonitos pelos quais já passei, tão grande que entre um e outro o deslocamento é feito num pequeno monotrilho.
Embarcamos. Portas fechadas e a poltrona do meio vazia — uma das pequenas vitórias silenciosas de quem viaja sozinha. Minha companheira de fileira era Liliana, colombiana que ia ao Japão com a família. Conversamos por uns quarenta e cinco minutos sobre culturas, sobre as nossas três origens tão diferentes e o que cada uma planejava fazer por lá. Esses encontros de bordo me lembram que vidas inteiras cabem em algumas horas de conversa com um desconhecido. Depois ela foi assistir a um filme e eu, fiel à minha própria tradição de bordo, iniciei minha sessão de sonoterapia — só quatro horinhas. Acordei para almoçar algo, tomar um vinho. Assisti Avatar em partes — sempre entre um cochilo e outro. Quando acordei de novo, o avião já descia.
Saí de Dubai às sete da manhã. Cheguei a Tóquio às vinte e duas e meia. O avião tinha comido as horas junto com os quilômetros — e de repente as rodas tocavam o chão.
Logo depois do toque das rodas no asfalto, bip bip bip: todos os celulares do avião dispararam ao mesmo tempo, com mensagem de risco extremo de terremoto. Não era nenhum alerta de teste ou brincadeira de mau gosto — era Japão de verdade, com seus abalos sísmicos frequentes e seus protocolos funcionando exatamente como deveriam. A tripulação seguiu com os procedimentos de pouso normalmente. A vida continua, mesmo quando o chão treme.
Fiquei particularmente aliviada pela escolha que tinha feito dias antes: hotel dentro do próprio aeroporto, o Villa Fontaine Grand Haneda. Naquela noite chuvosa, não precisei de metrô, nem de táxi, nem de nada. O hotel se liga ao aeroporto por um corredor que é praticamente um shopping, funcionando vinte e quatro horas. Um lugar gigante, com ala premium e ala econômica — justo e certeiro para uma noite de transição. Cheguei descansada o suficiente para ainda dar uma volta pelo lobby antes de dormir.
O plano para o dia seguinte era simples e generoso: dormir até as dez e meia, sair do quarto às onze horas e, da estação de trem dentro do próprio aeroporto, partir para Toyohashi, onde a família me esperava. Mas isso é história do próximo capítulo. Por ora, bastava saber que eu tinha chegado.
O fuso me pegou antes do alarme. Acordei mais cedo que o planejado, mas não foi de mau humor — foi aquele despertar quieto, de quem precisa de um instante só seu antes que o dia comece a correr. Fiz meu café no quarto, chaleira e sachês à disposição, esse conforto discreto que faz toda a diferença numa manhã de viagem. O sanduíche eu já tinha comprado na noite anterior: pão com ovo dos konbinis do Japão. Quem conhece, sabe.
Às dez horas já estava pronta. Abri a porta do quarto e meu carrinho de bagagem estava ali, exatamente onde tinha deixado — uma das graças silenciosas do Japão. Fiz o checkout e atravessei a passarela que liga direto o hotel ao Aeroporto de Haneda, sem pegar chuva, sem arrastar mala por calçada, sem estresse. Já no saguão, desci até a Central do JR Pass para retirar meu passe de vinte e um dias. O JR Pass é um bilhete especial vendido para turistas estrangeiros que dá acesso ilimitado à malha ferroviária da Japan Railways por um período determinado — trens expressos, regionais e até a maioria das linhas de shinkansen, o famoso trem-bala japonês. Para quem vai se deslocar bastante pelo país, é quase obrigatório. A retirada foi tranquila, sem filas intermináveis, sem burocracia.
Como meu passe só entra em vigor no dia seis de julho — quando começa o tour com deslocamentos mais longos —, comprei ali mesmo um bilhete avulso de shinkansen até Toyohashi. Primeiro, um trem até a Estação Shinagawa, a mais próxima com acesso ao trem-bala. De lá, peguei o Hikari, da linha Tokaido Shinkansen, em direção a Toyohashi: aproximadamente duzentos e sessenta quilômetros, cerca de uma hora e cinquenta minutos direto. Um detalhe que aprendi e vale registrar: se você viaja com malas grandes, escolha o assento no fundo do vagão — há espaço específico para bagagens maiores. Fiz isso, e foi uma boa decisão.
A viagem correu sem percalços, na hora exata, como o Japão costuma entregar. Em Toyohashi, o Uber local não opera para passageiros — só para delivery. Mas minha irmã já tinha resolvido isso com antecedência: avisou o Maurício, um paulista que mora na cidade há muitos anos e virou o motorista de confiança da família. Ele não só estava lá como estacionou, entrou na estação e veio me ajudar com as malas. Esse tipo de gentileza, a gente não esquece.
Em vinte e um minutos chegamos ao bairro onde eles moram. E aí a emoção não pediu licença. A Taty, a Laurinha e o André estavam me esperando — eles voltaram para o Japão há apenas três meses, mas a distância tem esse poder de amplificar a saudade de um jeito que o calendário não explica. Fui recebida com almoço, e a gente se perdeu no tempo da melhor maneira possível: novidades, presentes, encomendas vindas do Brasil, aquelas histórias que só fazem sentido contadas ao vivo.
No final da tarde, o corpo cobrou a conta. Dubai, o deserto, Abu Dhabi, um voo longo e os meus primeiros dias com quarenta e seis anos — tudo junto é argumento suficiente. Dormi até as vinte e uma e trinta, o que, convenhamos, não me ajudou nada a entrar no fuso japonês.
Mas a noite ainda guardava um pequeno ritual de boas-vindas: saímos passear pela vizinhança e fomos até o Seven-Eleven. Que saudade eu tava disso. Aquelas bebidinhas que a galera ensina no Instagram — as de hidratação e reposição — foram direto no carrinho. Pequeno prazer, efeito desproporcional.
Primeiro dia em Toyohashi: feito.
Primeiro domingo em solo japonês, e o fuso me pregou uma peça que eu achei que não viria. Não foi insônia declarada — mas a noite foi cheia de interrupções, aquelas que a gente não conta direito até acordar com dor de cabeça e entender que o corpo ainda está negociando o fuso. Ficamos em casa pela manhã, sem pressa, e só depois do meio-dia saímos para almoçar.
Foram uns vinte minutos de caminhada pelo bairro — e essa é exatamente a minha forma favorita de turistar. Não o ponto turístico, não a foto do cartão-postal, mas entender como a vida funciona ali, o que as pessoas comem, como os serviços são organizados, o ritmo do dia a dia de quem mora de verdade naquele lugar. A Laurinha foi guia e narradora ao mesmo tempo, explicando os detalhes enquanto a gente andava.
Um dos momentos que me ficou na memória foi ela demonstrando, ao vivo, o respeito no trânsito pelos pedestres. Quando uma criança levanta a mão na faixa de travessia, os carros param — imediatamente, sem hesitação. Ela atravessou a faixa inteira com a mãozinha erguida no ar, sinalizando a passagem, e foi lindo de ver. Isso não é regra de trânsito só no papel: é cultura encarnada no gesto mais simples. No Japão, o ato de atravessar a rua carrega toda uma pedagogia de convivência que começa na infância e parece nunca sair do corpo.
Almoçamos numa rede famosa de sukiyaki — dessas que se encontram por todo o Japão. Não lembro o nome exato do prato que pedi, mas era arroz e carne com temperinhos que eu não conseguiria nomear um por um, só sei que estava delicioso. Água e chá vêm de cortesia, sem pedir, sem cobrar. Um gesto pequeno que diz muito sobre como eles entendem hospitalidade.
E tem um ritual nessas casas que me encantou: todos os funcionários soltam um irasshaimase vibrante cada vez que a porta abre e alguém entra — uma boas-vindas coletiva, entusiasmada, quase coreografada. Na saída, o agradecimento é igualmente caloroso. É o arigatou gozaimashita ecoando em uníssono, como se cada cliente que saísse fosse uma dádiva. A primeira vez que ouvi aquilo me parei por um segundo. Não é protocolo frio — tem uma energia genuína ali, ou pelo menos uma disciplina tão bem treinada que chegou num ponto onde já não dá diferença.
Depois do almoço, fomos de loja em loja pelo bairro. Seria, Daiso — aquelas lojas de departamento japonesas onde tem absolutamente tudo e você entra sem querer nada e sai com as mãos cheias. Mas a descoberta do dia foi uma loja de produtos usados sensacional: bolsas de marcas famosas, eletrônicos antigos, games, consoles. Tudo em estado impecável, como o Japão sabe fazer. Fiquei curiosa e parei pra pesquisar uma bolsa da Burberry que estava na vitrine por vinte e cinco mil e oitocentos ienes — algo em torno de novecentos e cinquenta reais. A mesma bolsa usada no Brasil sairia por uns três mil reais. Nova, fora do Brasil, dez mil reais. O Japão tem essa lógica toda própria com o valor das coisas, especialmente as usadas, que chegam aqui tratadas como novas.
Entre uma loja e outra, o dia foi passando, e quando chegamos em casa já estava anoitecendo. Esse tipo de dia sem roteiro fixo, sem monumento obrigatório, tem um valor que demora um segundo pra reconhecer — mas fica.
Hoje não teve passeio. Segunda-feira: a Taty e o André saíram pra trabalhar, a Laurinha foi pra escola, e eu fiquei em casa a manhã inteira, tela aberta, café do lado, com os capítulos do Viagens da Ju pedindo atenção — o site que abriga esse livro de memórias que escrevo em tempo real, dia por dia, enquanto ela ainda está acontecendo.
O imprevisto apareceu na hora de publicar as atualizações: as fotos dos capítulos ficaram ocultas pra quem lê de fora, como visitante comum. Do meu lado, claro, estava tudo perfeito. Foi o pessoal lendo de longe que percebeu primeiro e me avisou.
O Viagens da Ju nasceu pequeno, do jeito que essas coisas costumam nascer: eu só queria um lugar pra gerenciar as minhas próprias viagens — organizar, acompanhar, guardar. Foi no meio do caminho que percebi que aquilo podia ir além de mim, que outras pessoas também iam querer um jeito assim de viver e guardar as próprias viagens. Pra isso funcionar, precisa existir uma linha clara entre o que é meu e o que é do mundo. Um álbum nasce privado. Só quando eu decido — um interruptor, uma regra guardada no sistema — ele passa a existir pra quem quiser ler. Foi exatamente esse mecanismo que quebrou naquele dia: a chave que deveria deixar as fotos visíveis pra fora ficou travada, sem eu perceber. Bug, não escolha. Mas o bug mostrou o quanto essa linha entre o privado e o público importa aqui — é a mesma lógica dos capítulos deste livro, revelados no meu tempo, não no tempo de quem lê.
Por trás da tela tem um sistema de verdade rodando: Next.js, TypeScript exigente o suficiente pra travar se algo estiver errado, um banco guardando cada viagem, cada dia, cada memória como peça de um conjunto maior. Organizei tudo por assunto — o que pertence ao planejamento mora junto, o que pertence ao álbum mora junto — pra eu conseguir entender o próprio sistema meses depois sem me perder. E uma inteligência artificial ajuda a sugerir roteiros, consultando fontes como preço de passagem, hotéis, atrações e recomendações de quem já esteve no lugar.
Escrevo o código do mesmo jeito que escrevo o texto: devagar, testando, corrigindo o que quebra, porque não tem ninguém além de mim cuidando disso. O resto do dia foi entre reescrever uma cena de um capítulo antigo e testar se a próxima publicação ia sair certa. Não é um trabalho que cabe em foto, não rende story bonito — só a tela, o café e a satisfação seca de ver o "publicado" funcionar de verdade, com as fotos aparecendo pra quem devia vê-las.
Em algum momento da tarde, enquanto uma nova compilação terminava e eu esperava mais um teste concluir, deixei tocar The Logical Song, do Supertramp. A pergunta que atravessa a música — como um mundo tão lógico pode, às vezes, parecer tão difícil de compreender — me fez sorrir. Talvez desenvolver um sistema e escrever um livro tenham mais em comum do que eu imaginava. Os dois exigem estrutura, mas sobrevivem por causa das pessoas. O código organiza. As histórias dão sentido.
Não foi um dia de Japão. Foi um dia de Viagens da Ju visto por dentro — o livro sendo construído enquanto é lido, com todos os defeitos e reparos que isso implica. E, por algumas horas, aquela música acabou virando a trilha sonora perfeita de um capítulo que não nasceu na rua, mas entre linhas de código e linhas de texto.
O universo conspirou a meu favor — ou melhor, a favor da Tati, que do nada ganhou uma folga na terça-feira. Tati é minha irmã, só um ano e três meses mais nova que eu: dividimos a infância e a adolescência inteiras, e carregamos memórias inesquecíveis. Moramos juntas por um tempo em Balneário Camboriú, até ela e o André, na época seu noivo, se casarem e virem para o Japão. Ficaram muitos anos por aqui, voltaram para o Brasil, tiveram a Laurinha, e neste ano resolveram voltar mais um pouco. Meu plano era ir ao centro de qualquer jeito, mas ir acompanhada dela mudou tudo: o ponto de ônibus ficava a poucos metros da casa deles, e às 10h30 já estávamos na parada.
O sistema de ônibus me encantou pela lógica. Sem catraca, sem aquela correria de validar antes de entrar: você sobe pela porta de trás, retira um bilhetinho que registra o ponto de embarque — ou usa cartão, ou app — e vai acompanhando numa telinha dentro do ônibus, estilo taxímetro, o valor subindo conforme os pontos passam. Na saída, paga num terminal ao lado do motorista: insere o ticket, passa o cartão, ou coloca o valor exato em moedas. Se precisar de troco, o próprio terminal devolve. Simples, honesto, eficiente.
Eu tinha comprado o Suica, mas ainda não sabia usar direito. Então fui no ticket mesmo — e aprendi na prática, com direito a tropeço incluído: joguei uma moeda de 500 ienes direto no terminal e travei a fila de saída inteira. A motorista, cordial, pediu para esperarmos do lado de fora enquanto os outros desembarcavam, e depois nos direcionou a um guichê na própria estação de Toyohashi para retirar o troco. Nenhuma rispidez, nenhum drama. Lição do dia, absorvida com sucesso e bom humor.
A estação de Toyohashi é enorme, e ali mesmo o resto da manhã foi embora fácil. Achamos uma loja cheia de itens fofos com temática de gato — e tinha uma seção inteira dedicada a gato preto. Me contive: saí com apenas uns sousplats de gato preto. Vitória relativa.
O almoço foi no McDonald's, pra agilizar e sem culpa nenhuma, e depois veio o destino principal: a Uniqlo. Uns 20 minutos a pé debaixo de 32 graus de sol. Valeu cada gota.
A Uniqlo tem uma filosofia que me faz sentido há anos: roupas simples, funcionais, cores neutras, preço justo. Em 2012 eu levei camisetas e regatas de lá que usei por anos — cinza, preto, branco, azul, tudo neutro, tudo durável. Desta vez também não me contive muito: já tinha planejado essas comprinhas, então saí com a consciência limpa e a mala um pouco mais pesada.
O passeio inteiro foi embalado por conversa — sobre nossas vidas à distância, sobre os anos que cada uma viveu num país diferente, mas sobretudo sobre o que nos une: esse amor de irmã que nem a distância entre Balneário e o Japão consegue diminuir.
Voltamos para casa no finalzinho da tarde, para esperar a Laurinha e o André
Antes do Fuji
O plano era Hamamatsu — um bate-volta até a cidade vizinha aqui de Toyohashi. Mas o dia pediu outra coisa: organizar a aventura ao Monte Fuji. Sentei, abri as pesquisas e deixei a ansiedade trabalhar a meu favor, porque quando o Fuji está na fila, não tem como fingir que é um passeio comum.
Cheguei ao Japão naquela viagem de 2012 no fim de agosto, quando a temporada de escalada já estava se fechando. O desejo ficou, daquele jeito que as coisas não realizadas ficam: guardado num lugar específico, sem perder a forma. Troquei a subida por Okinawa, que foi fantástica, mas o Fuji continuou lá, intacto no horizonte da memória. Agora a temporada abre exatamente em 1º de julho de 2026, e eu estou aqui — não é coincidência que me agrada ignorar. Mas não estava apostando muito nisso. O tempo seguia instável, com bastante chuva, e eu não queria fazer a subida inteira sem a chance de ver o sol nascer lá de cima.
É que julho está entre os piores meses do ano para ver o Fuji. As pesquisas mostram que o verão tem uma das menores probabilidades de céu limpo do ano, algo em torno de 15%, enquanto o inverno concentra, de longe, as melhores condições — perto de 80% no auge de dezembro e janeiro. A temporada de escalada abre bem no meio da época mais nublada do ano, quando o ar fica pesado de umidade e as nuvens sobem rápido depois do amanhecer. A janela boa, quando existe, é de manhã cedo: o céu costuma estar mais limpo entre o nascer do sol e as dez horas, antes que as nuvens se formem e engolam o topo pelo resto do dia. Era exatamente essa janela que eu precisava acertar — chegar lá em cima na hora certa, com o tempo aberto, ou a escalada inteira perderia o sentido que eu tinha guardado para ela desde 2012.
Meu manual desses dias virou o site oficial de escalada, o fujisan-climb.jp — foi ali que aprendi que a coisa toda funciona de um jeito bem diferente do que era antes de 2024. Existem quatro portas de entrada — Yoshida, Subashiri, Gotemba e Fujinomiya —, cada uma com seu próprio caráter. A Subashiri parte de uma estação mais baixa, do lado de Shizuoka, e se funde à trilha Yoshida lá pela oitava estação. A Gotemba começa quase ao nível do mar se comparada às outras, o que torna a subida mais longa e mais solitária — poucos abrigos, muita paisagem vulcânica, e uma descida célebre pela Osunabashiri, um trecho de areia solta onde dá pra praticamente correr montanha abaixo. A Fujinomiya, do lado sul, é a mais alta na largada e por isso a mais curta — só que também a mais íngreme, com a subida e a descida pelo mesmo caminho de pedra.
Eu vou pela Yoshida, a mais popular e a mais bem estruturada das quatro — a porta de quem sai de Tóquio. Começa na Quinta Estação da Linha Fuji Subaru, a cerca de 2.300 metros, com trilhas separadas para subida e descida — uma lógica pensada para não empacar o fluxo de gente. Quem faz como a maioria, dormindo na montanha em vez de subir tudo de uma vez, divide o esforço em dois dias: no primeiro, da quinta estação até o abrigo lá pela sétima ou oitava, algo entre três e cinco horas de caminhada; no segundo, ainda de madrugada, do abrigo até o topo para o sol nascer, mais duas ou três horas, e depois a descida inteira, outras quatro ou cinco. Somado, é bem mais que aquelas cinco ou sete horas que aparecem por aí como o tempo "da subida" — só que dividido em duas pernas, com uma noite de sono no meio. Os abrigos se multiplicam ao longo do caminho, principalmente perto da sétima e da oitava estação, e é ali, depois da oitava, que a Yoshida encontra a Subashiri e o caminho fica mais apertado, mais lento, mais gente pisando no mesmo degrau. Qualquer uma das quatro trilhas hoje exige reserva antecipada e pagamento de 4.000 ienes, que vira um QR code apresentado no portão. Sem isso, sem subida. A Yoshida, especificamente, tem um limite diário de 4.000 escaladores — 3.000 vagas por reserva antecipada e 1.000 no mesmo dia. Os portões fecham das 14h às 3h da manhã, para desestimular a escalada-bala, aquela de subir direto sem descanso e sem dormir na montanha, que aumenta o risco de hipotermia e mal de altitude. Quem tem reserva confirmada num refúgio pode circular fora desse horário.
Para a subida em si, baixei também o aplicativo oficial da montanha: as quatro trilhas no mapa, cada uma na sua cor, os abrigos, os avisos do dia. É ele que vai comigo trilha acima — o celular na mão fazendo o papel de guia, enquanto as pernas fazem o resto.
Os refúgios não têm um formato só — tem beliche coletivo, mas também cápsula individual e quarto privativo, dependendo de onde e de quanto se paga. Reservei o meu na sétima estação, no Tomoekan: uma cápsula solo, plano com duas refeições, por pouco mais de 11 mil ienes, para a noite de quinta, 9 de julho. Não tem banho lá em cima — a higiene se resolve com lenço umedecido, e ponto. A partir das quatro da tarde a temperatura despenca, mesmo sendo verão, e pode ir abaixo de zero; é preciso se agasalhar bem para dormir e sair ainda de madrugada, no escuro, para alcançar o topo a tempo do goraikō — o nascer do sol às 4h30, quando a luz rompe acima das nuvens e você é, por um instante, a pessoa mais alta do Japão.
No portão, os funcionários podem verificar se o equipamento é adequado. Botas de trekking, roupa impermeável de duas peças — jaqueta e calça separadas, não poncho — e agasalhos são considerados itens essenciais, e quem estiver claramente mal equipado pode ser impedido de seguir. Faz tempo que meu irmão, trilheiro de carteirinha, me orienta a comprar uma bota decente, porque eu sempre acabo indo de tênis. Desta vez não teve jeito: é indispensável. Comprei a bota, um bastão e a capa de chuva. Toda no look montanha — e um pouco curiosa sobre o que é estrear calçado novo numa montanha de 3.776 metros.
A temporada oficial vai até 10 de setembro de 2026. O Fuji está aberto, e eu, finalmente, estou pronta.
A rota planejada — quase uma volta ao mundo
Toda viagem boa fica na memória. Esta ficou na minha, e mora pra sempre neste livro — que agora é seu também.